Textos de Allen Carr [2]
Retirado daqui: http://bitaites.org/livros/ (6 de Setembro de 2007)
Citando o livro o Método Simples Para Deixar de Fumar - Allen Carr
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Citando o livro o Método Simples Para Deixar de Fumar - Allen Carr
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Segue-se novo excerto do livro «Parar de Fumar - O método mais fácil para todos». Os visitantes habituais já sabem a razão de ser desta série de posts. Aos outros, uma breve explicação: a leitura deste livro permitiu-me largar o vício do tabaco na maior das calmas, sem grandes ansiedades ou sensações semi-catastróficas de perda.
Fiquei tão impressionado com o papel positivo que o livrinho teve na minha vida que me dispus a copiar para aqui as partes mais importantes e susceptíveis de vos fazer uma lavagem ao cérebro - se forem fumadores compulsivos como eu fui e, claro, estiverem dispostos a abrir a mente.
Uma curiosidade: a frase Quando finalmente parei, foi como um passe de mágica transcrevi-a do livro com uma gralha: em vez de passe, escrevi passa… Um erro cómico, não trágico - é a diferença entre esta tentativa e as anteriores.
"POR QUE RAZÃO É DIFÍCIL DEIXAR DE FUMAR?
Comecei a interessar-me por este assunto por causa do meu próprio vício. Quando finalmente parei, foi como um passe de mágica. Quando anteriormente tinha tentado parar, passei semanas da mais negra depressão. Teria havido excepcionalmente um dia ou outro em que me sentia relativamente bem mas, no dia seguinte, encontrava-me de novo mergulhado na depressão. Era como se, ao agarrarmo-nos desesperadamente ás paredes escorregadias de um fosso, nos convencêssemos de estar perto do cimo, vermos a luz do Sol e em seguida escorregarmos de novo por ele abaixo.
Quando, por fim, acabamos por acender o cigarro, encontramos-lhe um sabor horrível e perguntamos por que motivo somos obrigados a fumá-lo…
Uma das questões que coloco aos fumadores antes das minhas consultas é a seguinte: «Quer deixar de fumar?». É, de certo modo, uma pergunta estúpida. Todos os fumadores gostariam de deixar de fumar. Se perguntar ao fumador mais inveterado: «Se pudesse voltar atrás, aos momentos anteriores a ter sido agarrado pelo vício, e com os conhecimentos do assunto que tem hoje, teria começado a fumar?». «De maneira nenhuma», é a resposta. Ou então pergunte-lhe se encorajaria os filhos a fumar. «De modo algum», é a resposta.
Todos os fumadores têm a percepção de que algo de mau se apossou deles. De princípio, trata-se da questão de: «Vou deixar de fumar, não hoje mas amanhã». Chegamos por fim à fase em que achamos não ser dotados de suficiente força de vontade ou que existe no cigarro algo que se tem de ter de forma a poder desfrutar-se a vida.
Tudo o que se refere ao vício do fumo constitui um verdadeiro enigma. A única razão que nos ocorre para o ganhar é o facto de milhares de pessoas também fumarem. No entanto, cada uma delas desejaria, antes de mais, nunca ter começado, afirmando que é pura perda de tempo e de dinheiro. Não podemos verdadeiramente acreditar que não estão a gostar de o fazer. Associamo-lo ao facto de sermos adultos e de nos esforçarmos para ficarmos, nós próprios, agarrados a ele. Passamos então o resto das nossas vidas dizendo aos nossos filhos para o não fazerem, tentando desenvencilhar-nos nós mesmos do vício.
Passamos também o resto da vida gastando uma exorbitância com o fumo. [Nota minha: O fumador que fuma em média um LM Lights por dia gastará, nos próximos cinco anos, mais de cinco mil euros] Que fazemos com o dinheiro? (Se o deitássemos pelo cano abaixo não seria tão grave) Na realidade, usamos sistematicamente o fumo para congestionar os nossos pulmões com alcatrões cancerígenos, para entupir e envenenar progressivamente os nossos vasos sanguíneos. Cada vez privamos mais de oxigénio cada músculo e orgão do nosso corpo, e assim nos vamos tornando cada vez mais letárgicos. Condenamo-nos a uma existência de poluição, mau hálito, de dentes manchados, de roupas queimadas, de cinzeiros sujos e de cheiro desagradável a tabaco entranhado. É uma vida inteira de escravidão. Passamos metade das nossas vidas em situações que a sociedade nos proíbe fumar (igrejas, hospitais, escolas, metros, teatros) mas, quando estamos a tentar diminuir o tabaco ou a deixar de fumar, sentimo-nos privados por causa disso. O resto da nossa vida de fumadores é passada em situações em que nos permitem fumar mas quem nos dera que não o fizéssemos. Que espécie de hobby é este que, quando o praticamos, gostaríamos de não o estar a fazer e, quando não o praticamos, ansiamos por ele?
O fumador despreza-se cada vez que, inadvertidamente, lê um aviso sobre a saúde, lançado pelo governo, ou quando surge uma campanha de alarme em relação ao cancro, ou outra sobre mau hálito; de cada vez que fica congestionado ou tem uma dor no peito, sempre que é o único fumador ao pé de não-fumadores.
Sendo obrigado a viver com estas horríveis sombras negras como pano de fundo dos seus pensamentos, que proveito tira disso? Absolutamente nenhum! Prazer? Distracção? Diversão? Apoio? Ajuda? Tudo ilusões, a menos que você pretenda usar sapatos apertados para ter o gosto de os tirar – como se isso constituísse uma espécie de prazer!
O verdadeiro problema consiste em explicar não só porque motivo os fumadores acham difícil deixar de fumar, mas por que razão ninguém o faz.
Você estará provavelmente a dizer: «Está tudo muito bem. Eu sei isso, mas uma vez que ficamos agarrados a este tipo de coisas é muito difícil largá-las.» Mas por que é que é assim tão difícil e por que temos que fazê-lo? Os fumadores procuram durante toda a vida resposta para estas perguntas.
Alguns dizem que é por causa dos fortes sintomas de privação. Na realidade, os verdadeiros sintomas de privação da nicotina são tão leves que a maioria dos fumadores vive e morre sem mesmo se aperceber de que é dependente de drogas.
Algumas pessoas afirmam que os cigarros são muito agradáveis. Não são. São objectos nojentos e poluentes. Pergunte a um fumador que está convencido que fuma apenas porque aprecia um cigarro se, quando não arranja a marca que costuma fumar e só consegue arranjar uma que acha desagradável, ele deixa de fumar? Os fumadores prefeririam fumar uma corda velha do que não fumar. O gosto nada tem a ver com isso. Eu gosto de lagosta mas nunca cheguei ao ponto de ter que andar com vinte lagostas penduradas à volta do pescoço.
Algumas pessoas procuram profundas razões psicológicas, o síndrome de Freud», »a criança no seio da mãe». Na verdade, é precisamente o contrário. O motivo mais comum de começarmos a fumar é o de mostrar que somos adultos e maduros. Se tivéssemos que chuchar na chupeta quando estamos ao pé de outras pessoas, morreríamos de vergonha.
Outros pensam que é o oposto, o efeito machista de inalar fumo ou fogo pelas narinas abaixo. Este argumento cai também pela base. Um cigarro aceso dentro do ouvido seria considerado ridículo. E é, de longe, mais ridículo inalar alcatrões despoletadores de cancro para dentro dos pulmões.
Há ainda outros que dizem: «É para ter alguma coisa com que ocupar as mãos!» Então, porquê acendê-lo?
«É a sensação do fumo a entrar para os pulmões». Uma sensação horrível – chama-se sufocação.
Muitos estão convencidos de que o facto de fumar afasta o aborrecimento. Também este é um falso pretexto. O aborrecimento é um estado de espírito.
Durante os trinta e três anos que fumei o meu argumento era o de que o cigarro me relaxava, me dava segurança e coragem. Eu também sabia que ele me estava a matar e me custava uma fortuna. Por que não fui eu ao médico pedir-lhe que me desse algo alternativo para me descontrair e me dar coragem e confiança em mim mesmo? Não o fiz porque sabia perfeitamente que ele iria sugerir uma alternativa. Este não era o meu motivo; era a minha desculpa.
Há outros que afirmam que só fumam porque os amigos fumam. Você será assim tão estúpido? Se assim é, reze para que os seus amigos não comecem a cortar as cabeças para acabar com a enxaqueca!
A grande maioria dos fumadores que se debruça sobre este assunto chega por fim à conclusão de que é apenas um hábito. Esta não é verdadeiramente uma explicação mas, uma vez esgotadas todas as habituais interpretações racionais, parece ser a única desculpa que resta. Infelizmente, este argumento também é ilógico. Nós mudamos de hábitos todos os dias da nossa vida e alguns deles são até muito agradáveis. Os meus hábitos alimentares relacionam-se com os tempos em que fumava. Não tomo o pequeno-almoço nem almoço; só faço uma refeição por dia, à noite. No entanto, quando estou de férias, a minha refeição favorita é o pequeno-almoço. No dia em que regresso volto ao habitual sem o menor esforço.
Qual é a razão por que adoptamos um hábito que sabe pessimamente, que nos mata, que nos custa um dinheirão, que é imundo e nojento e com o qual desejaríamos ardentemente romper, quanto tudo o que temos de fazer é abandoná-lo? Por que é isso assim tão difícil? Não é nada difícil, é a resposta, mas, pelo contrário, ridiculamente fácil. Mal entenda os verdadeiros motivos que o levam a fumar, deixará de o fazer – assim mesmo, como lhe estou a dizer! – e, no máximo de três semanas, o único mistério que ainda não terá conseguido desvendar é o ter fumado durante tanto tempo!"
Uma curiosidade: a frase Quando finalmente parei, foi como um passe de mágica transcrevi-a do livro com uma gralha: em vez de passe, escrevi passa… Um erro cómico, não trágico - é a diferença entre esta tentativa e as anteriores.
"POR QUE RAZÃO É DIFÍCIL DEIXAR DE FUMAR?
Comecei a interessar-me por este assunto por causa do meu próprio vício. Quando finalmente parei, foi como um passe de mágica. Quando anteriormente tinha tentado parar, passei semanas da mais negra depressão. Teria havido excepcionalmente um dia ou outro em que me sentia relativamente bem mas, no dia seguinte, encontrava-me de novo mergulhado na depressão. Era como se, ao agarrarmo-nos desesperadamente ás paredes escorregadias de um fosso, nos convencêssemos de estar perto do cimo, vermos a luz do Sol e em seguida escorregarmos de novo por ele abaixo.
Quando, por fim, acabamos por acender o cigarro, encontramos-lhe um sabor horrível e perguntamos por que motivo somos obrigados a fumá-lo…
Uma das questões que coloco aos fumadores antes das minhas consultas é a seguinte: «Quer deixar de fumar?». É, de certo modo, uma pergunta estúpida. Todos os fumadores gostariam de deixar de fumar. Se perguntar ao fumador mais inveterado: «Se pudesse voltar atrás, aos momentos anteriores a ter sido agarrado pelo vício, e com os conhecimentos do assunto que tem hoje, teria começado a fumar?». «De maneira nenhuma», é a resposta. Ou então pergunte-lhe se encorajaria os filhos a fumar. «De modo algum», é a resposta.
Todos os fumadores têm a percepção de que algo de mau se apossou deles. De princípio, trata-se da questão de: «Vou deixar de fumar, não hoje mas amanhã». Chegamos por fim à fase em que achamos não ser dotados de suficiente força de vontade ou que existe no cigarro algo que se tem de ter de forma a poder desfrutar-se a vida.
Tudo o que se refere ao vício do fumo constitui um verdadeiro enigma. A única razão que nos ocorre para o ganhar é o facto de milhares de pessoas também fumarem. No entanto, cada uma delas desejaria, antes de mais, nunca ter começado, afirmando que é pura perda de tempo e de dinheiro. Não podemos verdadeiramente acreditar que não estão a gostar de o fazer. Associamo-lo ao facto de sermos adultos e de nos esforçarmos para ficarmos, nós próprios, agarrados a ele. Passamos então o resto das nossas vidas dizendo aos nossos filhos para o não fazerem, tentando desenvencilhar-nos nós mesmos do vício.
Passamos também o resto da vida gastando uma exorbitância com o fumo. [Nota minha: O fumador que fuma em média um LM Lights por dia gastará, nos próximos cinco anos, mais de cinco mil euros] Que fazemos com o dinheiro? (Se o deitássemos pelo cano abaixo não seria tão grave) Na realidade, usamos sistematicamente o fumo para congestionar os nossos pulmões com alcatrões cancerígenos, para entupir e envenenar progressivamente os nossos vasos sanguíneos. Cada vez privamos mais de oxigénio cada músculo e orgão do nosso corpo, e assim nos vamos tornando cada vez mais letárgicos. Condenamo-nos a uma existência de poluição, mau hálito, de dentes manchados, de roupas queimadas, de cinzeiros sujos e de cheiro desagradável a tabaco entranhado. É uma vida inteira de escravidão. Passamos metade das nossas vidas em situações que a sociedade nos proíbe fumar (igrejas, hospitais, escolas, metros, teatros) mas, quando estamos a tentar diminuir o tabaco ou a deixar de fumar, sentimo-nos privados por causa disso. O resto da nossa vida de fumadores é passada em situações em que nos permitem fumar mas quem nos dera que não o fizéssemos. Que espécie de hobby é este que, quando o praticamos, gostaríamos de não o estar a fazer e, quando não o praticamos, ansiamos por ele?
O fumador despreza-se cada vez que, inadvertidamente, lê um aviso sobre a saúde, lançado pelo governo, ou quando surge uma campanha de alarme em relação ao cancro, ou outra sobre mau hálito; de cada vez que fica congestionado ou tem uma dor no peito, sempre que é o único fumador ao pé de não-fumadores.
Sendo obrigado a viver com estas horríveis sombras negras como pano de fundo dos seus pensamentos, que proveito tira disso? Absolutamente nenhum! Prazer? Distracção? Diversão? Apoio? Ajuda? Tudo ilusões, a menos que você pretenda usar sapatos apertados para ter o gosto de os tirar – como se isso constituísse uma espécie de prazer!
O verdadeiro problema consiste em explicar não só porque motivo os fumadores acham difícil deixar de fumar, mas por que razão ninguém o faz.
Você estará provavelmente a dizer: «Está tudo muito bem. Eu sei isso, mas uma vez que ficamos agarrados a este tipo de coisas é muito difícil largá-las.» Mas por que é que é assim tão difícil e por que temos que fazê-lo? Os fumadores procuram durante toda a vida resposta para estas perguntas.
Alguns dizem que é por causa dos fortes sintomas de privação. Na realidade, os verdadeiros sintomas de privação da nicotina são tão leves que a maioria dos fumadores vive e morre sem mesmo se aperceber de que é dependente de drogas.
Algumas pessoas afirmam que os cigarros são muito agradáveis. Não são. São objectos nojentos e poluentes. Pergunte a um fumador que está convencido que fuma apenas porque aprecia um cigarro se, quando não arranja a marca que costuma fumar e só consegue arranjar uma que acha desagradável, ele deixa de fumar? Os fumadores prefeririam fumar uma corda velha do que não fumar. O gosto nada tem a ver com isso. Eu gosto de lagosta mas nunca cheguei ao ponto de ter que andar com vinte lagostas penduradas à volta do pescoço.
Algumas pessoas procuram profundas razões psicológicas, o síndrome de Freud», »a criança no seio da mãe». Na verdade, é precisamente o contrário. O motivo mais comum de começarmos a fumar é o de mostrar que somos adultos e maduros. Se tivéssemos que chuchar na chupeta quando estamos ao pé de outras pessoas, morreríamos de vergonha.
Outros pensam que é o oposto, o efeito machista de inalar fumo ou fogo pelas narinas abaixo. Este argumento cai também pela base. Um cigarro aceso dentro do ouvido seria considerado ridículo. E é, de longe, mais ridículo inalar alcatrões despoletadores de cancro para dentro dos pulmões.
Há ainda outros que dizem: «É para ter alguma coisa com que ocupar as mãos!» Então, porquê acendê-lo?
«É a sensação do fumo a entrar para os pulmões». Uma sensação horrível – chama-se sufocação.
Muitos estão convencidos de que o facto de fumar afasta o aborrecimento. Também este é um falso pretexto. O aborrecimento é um estado de espírito.
Durante os trinta e três anos que fumei o meu argumento era o de que o cigarro me relaxava, me dava segurança e coragem. Eu também sabia que ele me estava a matar e me custava uma fortuna. Por que não fui eu ao médico pedir-lhe que me desse algo alternativo para me descontrair e me dar coragem e confiança em mim mesmo? Não o fiz porque sabia perfeitamente que ele iria sugerir uma alternativa. Este não era o meu motivo; era a minha desculpa.
Há outros que afirmam que só fumam porque os amigos fumam. Você será assim tão estúpido? Se assim é, reze para que os seus amigos não comecem a cortar as cabeças para acabar com a enxaqueca!
A grande maioria dos fumadores que se debruça sobre este assunto chega por fim à conclusão de que é apenas um hábito. Esta não é verdadeiramente uma explicação mas, uma vez esgotadas todas as habituais interpretações racionais, parece ser a única desculpa que resta. Infelizmente, este argumento também é ilógico. Nós mudamos de hábitos todos os dias da nossa vida e alguns deles são até muito agradáveis. Os meus hábitos alimentares relacionam-se com os tempos em que fumava. Não tomo o pequeno-almoço nem almoço; só faço uma refeição por dia, à noite. No entanto, quando estou de férias, a minha refeição favorita é o pequeno-almoço. No dia em que regresso volto ao habitual sem o menor esforço.
Qual é a razão por que adoptamos um hábito que sabe pessimamente, que nos mata, que nos custa um dinheirão, que é imundo e nojento e com o qual desejaríamos ardentemente romper, quanto tudo o que temos de fazer é abandoná-lo? Por que é isso assim tão difícil? Não é nada difícil, é a resposta, mas, pelo contrário, ridiculamente fácil. Mal entenda os verdadeiros motivos que o levam a fumar, deixará de o fazer – assim mesmo, como lhe estou a dizer! – e, no máximo de três semanas, o único mistério que ainda não terá conseguido desvendar é o ter fumado durante tanto tempo!"
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